segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ÚLTIMO PERDÃO

Texto em coautoria com Samara de Oliveira.

Alberto Ativista:

Humildemente eis me aqui

Te pedindo pra me ouvir

Ao menos um momento

Me perdoa por tanto sofrimento

Pelas vezes que protagonizei

Lágrimas de você, meu bem

Me perdoe se não fui nobre o bastante

Pra te amar como antes

Aquelas noites de puro prazer

A luz do luar, eu e você

Dois jovens desfrutando momentos

Que não se foram com o tempo

Estão vivos no coração

Por isso te peço perdão

Por não enxergar seu valor feminino

Por ter sido tolo e iludido

Fui buscar em outras camas

A felicidade de quem ama

Porém você me aceitou

Inúmeras vezes e perdoou

Eu com minha postura de bandido

Nunca fui homem o bastante contigo

Nos corpos que busquei prazer alienado

Estava cego e desencaminhado

Só nos teus braços é que realmente sou

Contemplado pelo amor

Teus lindos cabelos ruivos

Tua pele de veludo

Minha flor do norte peço a você

Mil desculpas, pode crê

Nesse momento de pura emoção

Eu te peço meu último perdão.

Samara de Oliveira:

Perdão?

Não sei se posso.

Meu coração está em destroços

Minh’alma de tanto chorar, secou

No escuro a vagar, estou.

Como posso confiar no teu dizer

Se antes eu tinha você

E de repente, por entre meus braços,

Voou.

Quero muito acreditar na tua aflição

E perceber que o teu coração

Ao se afastar de mim, sangrou

Que a saudade te dominou o peito

E que por pouco, não o matou.

Mas tu sabes o quanto fraquejo

De tudo o que sinto quando te vejo

Das doces lembranças...

Dos beijos de amor

Agora, aqui, a ti eu me entrego

E nos teus braços me faço um credo

Uma oração... um pecado... ardor.

Me ofereço-te de corpo e alma

Te dou do oceano a calma...

A calmaria do amor.

E para que não restem dúvidas

Nesse momento de pura emoção

Devolvendo-te meu coração, estou

E o perdão que outrora me pediste

Se de veras for o último, te dou.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

REENCONTRAR-SE

Muitas vezes para reencontrarmos o nosso caminho, ou encontrarmos um novo um novo caminho, tudo que precisamos fazer é se afastar um pouco, falar consigo mesmo. O resto acontece naturalmente.
Como já falou o poeta Thiago de Mello "Eu não tenho um novo caminho, o que eu tenho de novo é o jeito de caminhar".
Alberto Ativista, escritor e poeta.

sábado, 26 de agosto de 2017

O HOMEM DE BERMUDA E CHINELO

Sávio abriu os olhos e não reconheceu o teto. Levantou-se admirado e preocupado ao mesmo tempo. Tudo estava diferente, a mobília, a cor do quarto que antes era verde fosco, agora é de um branco impecável. Ainda sem entender nada ele sai para ver a rua.
A rua bem limpa, crianças indo para a escola, outras brincando ciranda ou pulando corda. Um senhor passa com um jumento e o cumprimenta com um bom dia, logo em seguida uma senhora que vem na mão contrária passa com um Corola, sede passagem ao homem com o jumento e também cumprimenta Sávio. "Eu não entendo", pensa Sávio... Essa é minha rua, mas está tão diferente, tão, tão... Magnífica! Não há homens e mulheres bêbados nos bares, não há pessoas xingando no trânsito, aliás no trânsito não havia divisão entre faixa para ciclistas, pedrestes, carros ou jumentos, todos trafegavam tranquilamente na mesma faixa.
O clima já não estava tão seco, tão quente, estava um belezura, agradabilíssimo. Onde antes tinha um paredão de som, agora tinha uma orquestra de pássaros. "Isso tudo é tão irreal, será que eu morri e estou no céu? Vou já voltar pra casa e ligar a TV". Ao ligar a TV Sávio não viu notícias de assasinatos, nem políticos colocando dinheiro na cueca, ou na meia. A única coisa que Sávio viu na TV foi a notícia que dizia o seguinte "Atenção todos os expectadores, saiam de suas casas agora, venham ver o belo sol que nos prestigia está manhã". Sávio sai para fora e vê um cara sorridente vestindo bermuda e de chinelo no pé. Ele se aproxima de Sávio, o cumprimenta, e pergunta para Sávio "Que cara de susto é essa?" Sávio responde "O mundo que eu conheço não é este. Eu estou morto?" O homem de bermuda respondi "Você não está morto, está tendo apenas uma visão de como o mundo poderia ser se o ser humano não fosse tão cruel e egoísta". Em seguida este homem toca com a ponta do dedo no peito de Sávio que logo sente uma dor forte e desfalece.
Quando Sávio acorda está sendo socorrido para o hospital, tomando choques do desfibrilador. Ele pergunta "O que houve?" O socorrista diz "Você sofreu um sério acidente de moto. Um carro veio e o atropelou, e sem mais, nem menos esse carrou sumiu".
Então Sávio começou a pensar que quem dirigia o carro era o homem de bermuda e chinelo, e que aquilo era uma visão para que Sávio pudesse espalhar para o mundo uma mensagem de construção de uma sociedade menos sanguinária e mais receptiva e amorosa.
Alberto Ativista, escritor e poeta.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

ESSE NEGÓCIO DE AMOR

Esse negócio de amor é complicado mesmo...
Amor entre casal vira obsessão, amor de mais pelo dinheiro vira ganância, amor de mais por bens materias vira loucura. Mas que nada, amor não é isso não, isso é inventado pelo ser humano que modifica tudo.
Amor mesmo é de mãe, morre pelos filhos. Amor de verdade não tortura, não prende, não esmaga.
Mas, como a gente vive na sociedade da controvérsia, amor virou ódio, e ódio virou amor.
Alberto Ativista, escritor e poeta.

IPU, CEARÁ, BRAZIL

Ipu coração tabajara,
Serra da Ibiapaba,
Beleza rara.
Ipu coração valente,
De quem luta diariamente.
Agricultores, pedreiros, garis,
Símbolo de dignidade daqui.
Ipu coração dolorido,
Da violência que tem sofrido.
Ipu terra de Iracema,
Da Bica, beleza plena.
Véu de noiva ao sol e ao luar,
Aqui é nordeste, aqui é Ceará.
Ipu cancioneiro, poético, apaixonado,
Mil juras de poesia te declaro.
Ipu da corrupção, alienação extremista,
Ipu da emoção que descrevo nas rimas,
Ou Alberto, ou Ativista, ou Aragão,
Faço da poesia munição do meu canhão.
Alberto Ativista, escritor e poeta.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A VIOLÊNCIA VESTE VERMELHO

Texto de minha autoria falando sobre a violência e suas causas, publicado no blog Expresso Ipu:

(Ipu-CE) "Poeta ipuense faz reflexão sobre a violência que assombra Ipu"

"A VIOLÊNCIA VESTE VERMELHO"

A violência veste vermelho, o vermelho do sangue grosso escorrendo, o vermelho dos olhos que choram, o vermelho que mancha nossa massacrada sociedade.

Nelson Mandela nos disse que "A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo", e ele tem toda razão. 

Nós estamos acostumado a enxergar só a violência que sangra, a que está explícita na nossa cara. Mas, existem muitos tipos de violência, e uma das mais estarrecedoras é o inacesso a educação.

Não conheço ninguém que tenha entrado no crime por amor, se o cara que chefia o morro com um fuzil, pudesse chefiar uma faculdade com uma caneta, qual das duas opções você acha que ele escolheria? A deseducação de um povo é uma mortal ferramenta para gerar violência. 

Mas, ai esbarramos em outro detalhe, a educação de um povo é uma mortal ferramenta para produzir paz, consequentemente justiça, ou seja, para os nossos governantes investir em educação seria uma faca de apenas um gume que estaria diariamente apontada para as suas cabeças. 

Sem falar que para os admistradores desse país é mais lucrativo investir em festas e estradas que geram votos rapidamente, do que investir em educação e cultura que posteriormente o povo poderia usar contra os próprios governantes.

As medidas sócioeducativas não funcionam, o militarismo não funciona, prova incontestável disso é que o menor quase sempre volta a ser reincidente, e a polícia brasileira é a que mais mata e a que mais morre no mundo. Não há paz sem justiça, e não há justiça sem educação.

Alberto Ativista, escritor e poeta

Link do texto: http://expressoipu.blogspot.com.br/2017/08/ipu-ce-poeta-ipuense-faz-reflexao-sobre.html?m=1

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

QUAL SUA ARMA?

Cada qual usa sua arma mais eficaz,
O Gandhi a paz,
O professor a educação,
O aluno a determinação,
O radialista a locução,
O cantor a canção,
O agricultor a enxada,
O caminhante a jornada,
O poeta a caneta,
A modelo a beleza,
Cristo a salvação,
E o político a corrupção.
Alberto Ativista, escritor e poeta.